Histórias que o vô contava – Parte 1

Não sei de você já teve a oportunidade de ver um atestado de óbito. É uma coisa tão sem graça, tão fria. Fulano nasceu em tal cidade, casou em tal cidade no ano tal, deixa os filhos Maria e João, era viúvo, deixa bens. Como assiiiim? E as história tudo da pessoa?
Por este motivo, me senti motivada a relatar algumas das histórias que meu avô contava. Ele contava muitas histórias. E não era daqueles avôs ou pessoas que ficam repetindo as histórias, tipo eu. Ele sempre contava uma coisa inédita. Tanto que as vezes a família se entreolhava impressionada, se perguntando “você sabia dessa?”.
Orlando Silva de Oliveira nasceu em 01 de agosto de 1940, em Ilhéus, na Bahia, embora conste Salvador nos documentos. Dessa história eu não sei. Mais velho dos quatro filhos do casal Dona Carmosina Evangelista e seu Nelson José de Oliveira, não tinha nenhum parente Silva. O nome era homenagem ao cantor Orlando Silva, assim como o da irmã caçula, Olinda Batista. Os nomes dos outros irmãos, Oliude (já confundida com Califórnia e Arizona) e Otoniel (in memorian) eu não sei dizer em homenagem a quem foram dados os nomes.
Quando o vô tinha 7 anos, a família mudou-se para Osasco-SP, mas rolava uma história de que antes disso, por conta de algum rolo, moraram por um tempo indeterminado em uma casinha de pau-a-pique sem teto em Salvador, e dormiam olhando o céu. Chegando em Osasco, o vô já não se entendeu com os professores do primário, que insistiam na pronúncia do alfabeto como a, ê, i, ô, u e ele teimava no a, é, i, ó, u, e não satisfeito ainda dizia bê, cê, dê, fê, gê, entre outras coisas capazes de deixarem professores dos anos 50 à beira de um ataque de nervos. Acho que por conta desse descompasso ele teve que repetir o ano.
Morando em Osasco, teve um cachorro chamado Bandit, o vira-lata mais esperto do mundo, que uma vez botou pra brigar com um cachorro grande, deu-lhe uma coça, porém tomou outra após o dono do cachorro ir dedurá-lo para dona Carmo. Ali era surra todo dia. Mas também, aprontava tanto que devia ter uns 6 anjos da guarda se descabelando. Nadava em cava, entrava em briga, e certa vez ganhou a sempre visível e até informada na ficha do quartel cicatriz no pescoço. Não me recordo se estava fugindo de um boi brabo ou de um fazendeiro brabo com uma carabina de pressão por estar roubando goiaba, no escuro da noite, esbarrou na cerca de arame farpado e chegou em casa tranquilão, todo ensanguentado. Imagina o que passa na cabeça da mãe numa hora dessas? Eu não sei se morria ou matava. Em uma mudança, teve que deixar o vira-lata Bandit pra trás. Aí segue uma das cenas mais tristes da vida de uma criança, o cãozinho, que o seguia e o buscava todos os dias na escola, correu ao lado do trem, desesperado, o máximo que aguentou. De partir o coração. Ele dizia que depois disso não quis mais se apegar com cachorro, então deve ter sido triste mesmo.
Com uns 12 anos já trabalhava e ainda ia à escola, saindo cedo e voltando tarde com uma caixinha de engraxate pendurada no ombro. Um vizinho com o qual ele gostava de conversar para ver as filhas bonitas uma vez o questionou se ele gostava mesmo de estudar, o que ele respondeu positivamente. O homem arranjou-lhe uma bolsa de estudo no renomado colégio de Pedro II, no Rio de Janeiro, o que obviamente era inconcebível para uma mãe como dona Carmo nos anos 50, enviar um filho para outro estado. Eu, pelo menos, nunca vi nenhum arrependimento nesse sentido.
Continua….

Você lembra de outras histórias ou as minhas carecem de fontes? Comente!

Anúncios

Sem rumo

Naquela manhã ensolarada de maio, Franz acordou no horário de sempre. Olhou no relógio, cogitou dormir mais cinco minutos. E então se levantou.

Tirou os pijamas e vestiu-se para ir ao trabalho. Calçou os sapatos, verificando que necessitava visitar um engraxate.

Lavou o rosto demoradamente. O toque frio da água corrente em seu rosto era agradável.

Ao sair de seu velho apartamento, com a pasta do trabalho debaixo do braço, não sentiu nada de diferente. Era apenas mais um dia.

Franz chegou à estação de trem e de repente teve vontade de mudar tudo. De voltar para seu mofado apartamento, se jogar na cama e dali não sair o dia todo. Ou quis simplesmente ficar na estação observando o vai e vem de vagões e de pessoas apressadas.

Levantou de súbito, correu e alcançou um trem que se preparava para partir. Quando o trem saiu, olhou o visor do celular dentro da pasta e viu que não eram nem 8 horas da manhã. Abriu a janela e lançou o aparelho, que se espatifou sobre as pedras.

Não sabia para onde iria aquele trem. Somente que era para longe de sua casa. Para longe de seu trabalho, para longe de sua cidade. Franz simplesmente ia para onde o trem levasse.

Por um momento, sentiu-se apreensivo com o que ficou para trás. Olhou para fora e viu, pela janela, a cidade se afastar.

“Estou indo embora, sem dizer adeus. Estou tomando um novo rumo”, pensou Franz a imaginar, otimista, para onde iria aquele trem.

Birdcage

Todas as manhãs, eu encaixo os meus pés naquela arborizada rua que me leva até meu destino. Repito cuidadosamente o mesmo ritual. Recapitulo as tarefas da manhã. Dou os primeiros passos enfeitando meus lábios com batom. Equilibro-me no meio fio da calçada.

Naquela esquina do portão azul, eu sempre ouço um gorjear bonito, de um pássaro que não sei identificar. Eu tento vez ou outra me aproximar para ouvir melhor. Quanto mais próximo, mais belo o canto.

Em uma manhã chuvosa, o grande portão de madeira estava aberto, e vi ali, entre as folhagens, uma penugem tão linda quanto se pode imaginar. Mesmo com a chuva forte, pude ver o brilho que as penas esverdeadas emanavam. E eu tive a impressão de que o pássaro gorjeou mais feliz com a minha presença.

De longe, eu olhava, todas as manhãs, que o pássaro piava tristinho ali. Preso em uma enorme e bela gaiola, ele voava de um poleiro ao outro, olhando de soslaio o mundo lá fora. Vez ou outra, eu espiava e via ele cantando feliz, pulando de um poleiro em outro.

E quanto mais observei aquele pássaro preso, mais o amei. Mais desejei soltá-lo e vê-lo alçar vôo entre as árvores. Eu quis com todo o meu coração que ele voasse alto e abrisse as asas o máximo que conseguisse.  Eu queria vê-lo voando tão alto que o perderia de vista, para vê-lo novamente em instantes.

Agora, eu vejo que a porta da gaiola foi aberta. E que ele pia baixinho e me olha nos olhos. E que a luz do sol reflete no verde das penas. Acredito que ele espera o meu sinal para voar ao meu lado, livre. Eu quero que ele voe livre, embora saiba que ele tem medo. Eu quero que ele voe livre, porque eu amo a liberdade.

Tô famosa!

Acabei de notar, pelas estatísticas do blog, que estou linkada nos blogs da semana do Inagaki (Pensar Enlouquece)
Que legal! 😀
Primeiro, desculpem pela falta de atualizações. Estou tirando os novos posts do forno e em breve tem coisa nova, ok?
Obrigada pelas visitas! \o/

Saquinho de veludo

Ao longo da vida, a menina juntou uma porção de jóias. Herdadas de família, recebidas de presente, compradas e até mesmo encontradas no meio da areia de uma praia vazia. A questão é que aquelas jóias precisavam ser guardadas em algum lugar, pois não dava para usar todas ao mesmo tempo.

Decidiu então o seguinte: guardaria todas as jóias em um saquinho de veludo. E passou a procurar o saquinho ideal para a quantidade de jóias que possuía. O primeiro saquinho parecia bem adequado, usou durante um bom tempo. Mas a costura era frágil, e, se desfazendo, deixava escapar pelos buraquinhos os menores brincos e tarraxas, fazendo-a perder alguns. Ela desfez-se desse saquinho e resolveu procurar outro.

O outro saquinho que encontrou já se mostrava, de início, bem maior que o primeiro. Todinhas as jóias cabiam dentro dele, e as costuras pareciam mais reforçadas. O problema surgiu quando ela percebeu que aquele saquinho era muito grande para suas jóias.

Todas as vezes que queria pegar um brinco, colocava a mão lá no fundo, e ainda assim era difícil de alcançar. Certa vez, virou de ponta cabeça e sacudiu o saquinho para tirar o que precisava. Virou para o lado e o saquinho havia desaparecido. Um mistério.

Sem saquinho por um tempo, ela teve que se virar guardando as jóias dentro das meias e dos bolsos do pijama.

Certa vez achou um saquinho que era a coisa mais linda, mas irritou-se logo no início. Aquele era difícil de abrir. Mas era tão lindo que ela achou que o esforço valeria a pena. Toda vez que queria tirar algo lá de dentro era complicado, ele era ruim de abrir e de fechar. Nem conseguir se livrar do saquinho, cansada de tanta dificuldade de manejo, ela conseguia, pois tirar tudo de lá de dentro foi um sacrifício. Desfez-se do saquinho depois de um tempo, mas alguma coisa acabou ficando lá dentro provavelmente.

Dia desses topou com um saquinho diferente, mas que parecia bem o que ela procurava para suas jóias. Tamanho perfeito, sem problemas para abrir ou fechar, costuras firmes. Era ótimo. Só que uma manhã aquele colarzinho de bailarina enroscou lá no fundo.

Ela puxou, a correntinha não rompeu, mas puxou um fio da costura. Ela tentou arrumar, mas em poucos dias, o saquinho de veludo favorito se desfez inteirinho.

Agora os bolsos do pijama estão meio furados. Talvez seja melhor usar todas as jóias ao mesmo tempo. Ou talvez essas jóias nem sejam mesmo necessárias…

Diário de bordo – primeira viagem de negócios

Embora nunca tenha postado algo deste gênero no blog, senti muita vontade de escrever a respeito da minha primeira viagem a trabalho. Foram situações muito peculiares e interessantes que merecem registro. Passei 4 dias em Foz do Iguaçu trabalhando dentro da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), que está em sede provisória dentro do Parque Tecnológico de Itaipu, e será construída em um terreno doado pela usina binacional.

A minha primeira preocupação foi preparar minha mala para os 4 dias que passaria em Foz do Iguaçu. Comecei procurando no Google “o que levar na mala viagem negócios”. Cliquei na primeira página e me rendeu boas risadas.

    § 1 blazer preto sem detalhes
    § 1 conjunto com calça e jaqueta ou paletó de veludo na cor creme
    § 1 camisa de tricoline com strech branca
    § 1 suéter nas cores rosa, vermelho, amarelo ou turquesa, por exemplo
    § 2 camisetas (uma branca e outra listrada – de preferência listras verticais, que alongam a silhueta)
    § 1 blusa ou camisa de mousseline ou cetim preta, que também pode ser usada de dia
    § 1 xale (tear fino ou mousseline)
    § 1 saia lápis preta (ou modelo A, que é mais larga na barra do que na cintura, ideal para quem tem quadril largo)

Desisti aí, triste, constatando que essas coisas não existiam no meu guarda roupa. Descobri também que era um site para gordinhas. Haha. Achei melhor seguir a sugestão do meu pai. “Leve umas roupas sérias e uma mais formal caso precise”. Pronto, arrumei tudo em 15 minutos.

Ao andar de avião, acho uma das coisas mais legais combo do mundo poder olhar aquele tapete de nuvem lá embaixo. Dá uma vontade de poder correr e deitar-se ali. Embora o aeroporto de Foz do Iguaçu tenha instalações modestas, poucos minutos por ali já se revelam interessantes. Vi celebridades, grupos de turistas de todo canto do mundo, como franceses, japoneses, um monge budista, uma família inteira muçulmana e por aí vai. Embora já tivesse passado por outros aeroportos internacionais, nunca tinha visto uma variedade tão grande em tão pouco tempo.

Ao encontrar o motorista da Unila que veio me buscar, também conheci a sorridente Rosilene, histórica primeira aluna da universidade, que veio de Ceilândia – DF para cursar Ciências Políticas. “Oi, Giulianna, prazer, meu nome é Rosilene. Você veio estudar o quê?” A pergunta não foi apenas da menina, uma boa parte dos professores e servidores da Unila também me perguntou se eu era aluna. Pequenos prazeres que só essa minha cara de colegial me proporciona.

Atualmente, a Unila encontra-se provisoriamente instalada dentro do PTI, em Itaipu. Para chegar ao imenso terreno da usina, é preciso atravessar toda Foz do Iguaçu, também inédita na minha vida. Embora lotada de hotéis e sotaques diferentes, ela tem seu charme provinciano e um quê de Maringá, acho que por causa da terra vermelha. A primeira coisa que chama a atenção ao se aproximar de Itaipu são os imensos postes de energia. Podem julgar minha imaginação demasiado fértil, mas imediatamente pensei em enormes alienígenas.

Eles estão vindo dominar a terra! D:

Eles estão vindo dominar a terra! D:

Não sei também se é comum sempre, mas notei que eu era a única mulher sozinha no hotel, pois só havia homens em viagens de negócios e famílias de turistas. Obviamente todo mundo ficava me olhando como se eu fosse uma extraterrestre. Ao contrário da Unila, aonde o tratamento é VIP para os alunos e os profissionais que vêm de longe. A força-tarefa inclui servidores e professores da UFPR, de outras universidades federais, de outros órgãos federais, da Itaipu, do PTI e profissionais aleatórios, como eu. Embora tudo esteja muito nebuloso e indefinido, a ligação que todos têm com o projeto e com o aspecto político da universidade é o que os faz persistirem e virem de tão longe para participar. É todo tipo de sotaque nos corredores: curitibanos, gaúchos, paulistas, cariocas, uruguaios, argentinos…

O segundo dia em Foz incluiu uma inesperada ‘viagem’ noturna para Ciudad Del Este, entre aspas porque é muito perto, menos de 20 minutos do hotel. Não achei nada feio, nada de terrível, pois como fui só até o shopping, à noite, Ciudad Del Este parecia mais uma cidade fantasma à la Gotham City, sem o Batman e com um shopping no meio daquele monte de lixo e escuridão. Dentro do shopping, olhei tudo, achei engraçado conversar com os vendedores, pois são todos paraguaios, mas falam português perfeitamente, já que o público-alvo são brasileiros. Comprei uma garrafa portátil de inox para conhaque, um Toblerone e uma caixa de alfajores Havana, já que não levei quase nada de dinheiro e meu único cartão internacional estava sem limite.

Na Unila, são notáveis as ações de recepção para os alunos. A universidade possui “cotas” de 50% das vagas para alunos brasileiros e 50% para alunos estrangeiros, que podem ser paraguaios, uruguaios, argentinos ou de qualquer outro país da América Latina cujo governo possua parceria com a instituição. Os alunos brasileiros ingressam através do Enem, enquanto os estrangeiros de acordo com o critério de seu país de origem. O alojamento improvisado próximo ao campus mistura os alunos de diferentes nacionalidades, numa prévia do que será a convivência na universidade. Por ser uma instituição bilíngue, a Unila terá professores de várias nacionalidades latino-americanas, além dos alunos e aulas de línguas para integração geral de todos. Os professores recepcionam os grupos de alunos que chegam no aeroporto e na rodoviária, achei isso extremamente legal. Além de que o projeto político-pedagógico da universidade é fascinante.

Em uma das tardes em que pudemos sair mais cedo, solicitei ao motorista que nos levasse para conhecermos a usina, nem que fosse de longe. O terreno todo da Itaipu é muito imenso, assim como a barragem. Tudo tem proporções magníficas. Na foto, pequenos pontos brancos são carros preparando o show de fogos que aconteceria à noite. A metade da esquerda é paraguaia, enquanto a metade da direita é brasileira. Para cada operário brasileiro deve haver um paraguaio, regra da casa binacional. Embora haja muitas brigas para aumento da participação paraguaia nos lucros, a diplomacia brasileira procura negociar de forma bem flexível, conforme afirmou o diretor-geral brasileiro, Jorge Samek em um almoço executivo que eu cobri em Curitiba.

O pedaço paraguaio e o pedaço brasileiro da usina

O pedaço paraguaio e o pedaço brasileiro da usina

Ainda fui mais uma vez para Ciudad Del Este, desta vez como a única mulher sozinha na van do hotel, com seis casais de brasileiros. Comprei algumas coisas que tinha namorado no dia anterior e voltei para o hotel, para comer uma pizza brotinho no meu quarto.

Os dias de trabalho foram muito produtivos, com o contato com o reitor e todos os pró-reitores, super dispostos e cheios de boa vontade em me ajudar, embora todos estivessem empenhados na recepção dos alunos e no início das aulas. Achei muito engraçado quando uma professora me perguntou se eu tinha mestrado, pois poderia dar aula de português para os alunos estrangeiros. Tá aí um projeto de vida bem interessante, embora eu ainda goste da minha profissão atual. Conheci as jornalistas Valéria Palombo, assessora de imprensa em Curitiba, a Mayara Godoy, atual e solitária coordenadora da comunicação da Unila e a gaúcha Ana Paula Dixon, ex-assessora técnica da equipe, em missão de ajudar a mim e a Mayara. Em meu pouco tempo de formada já noto algumas coisas em comum com outros profissionais, como a obsessão por brindes como canetas, bloquinhos e reuniões ou coletivas com um belo coffee-break. Hahahaha! Minha paixão por bacon foi compartilhada apenas com a Mayara, que sabe das coisas boas da vida.

Todas as sextas-feiras, o Luiz Carlos, motorista da universidade, prepara um almoço na copa para todos os funcionários. Sabendo que eu deveria partir logo cedo, adiantou a canjiquinha com carne de porco e salada e juntamente com a Chica, arrumaram um cantinho na copa para que eu pudesse almoçar. Achei a coisa mais fofa do mundo. Essa despedida de Foz do Iguaçu e da Unila fecharam tudo com chave de ouro, embora eu tenha passado pelo aperto de ter que pagar minha estadia no hotel, mesmo tendo ido a convite, hehe. Essas coisas a gente resolve depois.

O saldo positivo da viagem é que eu saí do país, conheci a usina de Itapu, conheci muita gente que vai entrar para a história junto com a Unila, coletei um monte de informações boas para o meu trabalho e posso me considerar uma executiva chique por viajar a trabalho. Hahaha. O saldo bancário, por sua vez, é de R$1,73. Ossos do ofício, hehe. Fica a missão de voltar para conhecer a Unila quando estiver pronta, conhecer as Cataratas, visitar Puerto Iguazu e aquele monte de gente bacana envolvida no projeto da universidade da integração.

A velha mansão

Há uma velha mansão aqui perto. Possui belas janelas grandes e expressivas. O telhado reluz, em perfeito estado. Mas as calhas sempre se entopem com as folhas das grandes árvores que a cercam. Seu jardim morre sob a densa nuvem de folhas secas. A porta é de madeira maciça, talhada, com puxadores dourados e pesados, linda. Mas emperra. É difícil de abrir.
Ela não tem moradores fixos. Até tem, mas não por muito tempo.
Eles chegam, impressionados com a fachada, com as janelas grandes e os cômodos espaçosos. Ela é quente e bem iluminada, e os recebe bem.
Aconchegante nos dias de inverno, com sua grande lareira acesa, iluminando toda a sala, deixa os moradores bem quentinhos.
Mas passam os dias e eles acham seu calor muito forte. Suas janelas iluminam demais quando querem dormir até mais tarde.
Eles não aguentam a calha entupida toda vez que chove e venta muito.
Como a porta emperra quando a umidade é muita, e as grandes janelas ficam difíceis de limpar.
A acústica da sala é péssima para o piano, e os banheiros ridiculamente pequenos.
Aí os moradores se irritam com as rachaduras nas paredes, que na verdade são frágeis.
A verdade é que a estrutura dessa velha mansão é frágil como um passarinho, por mais bela e aconchegante que ela seja.
E rápido como chegaram e se acomodaram, eles juntam seus pertences e saem, deixando a mansão cada dia um pouquinho mais quebradiça.

Entradas Mais Antigas Anteriores