Sem rumo

Naquela manhã ensolarada de maio, Franz acordou no horário de sempre. Olhou no relógio, cogitou dormir mais cinco minutos. E então se levantou.

Tirou os pijamas e vestiu-se para ir ao trabalho. Calçou os sapatos, verificando que necessitava visitar um engraxate.

Lavou o rosto demoradamente. O toque frio da água corrente em seu rosto era agradável.

Ao sair de seu velho apartamento, com a pasta do trabalho debaixo do braço, não sentiu nada de diferente. Era apenas mais um dia.

Franz chegou à estação de trem e de repente teve vontade de mudar tudo. De voltar para seu mofado apartamento, se jogar na cama e dali não sair o dia todo. Ou quis simplesmente ficar na estação observando o vai e vem de vagões e de pessoas apressadas.

Levantou de súbito, correu e alcançou um trem que se preparava para partir. Quando o trem saiu, olhou o visor do celular dentro da pasta e viu que não eram nem 8 horas da manhã. Abriu a janela e lançou o aparelho, que se espatifou sobre as pedras.

Não sabia para onde iria aquele trem. Somente que era para longe de sua casa. Para longe de seu trabalho, para longe de sua cidade. Franz simplesmente ia para onde o trem levasse.

Por um momento, sentiu-se apreensivo com o que ficou para trás. Olhou para fora e viu, pela janela, a cidade se afastar.

“Estou indo embora, sem dizer adeus. Estou tomando um novo rumo”, pensou Franz a imaginar, otimista, para onde iria aquele trem.

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