Birdcage

Todas as manhãs, eu encaixo os meus pés naquela arborizada rua que me leva até meu destino. Repito cuidadosamente o mesmo ritual. Recapitulo as tarefas da manhã. Dou os primeiros passos enfeitando meus lábios com batom. Equilibro-me no meio fio da calçada.

Naquela esquina do portão azul, eu sempre ouço um gorjear bonito, de um pássaro que não sei identificar. Eu tento vez ou outra me aproximar para ouvir melhor. Quanto mais próximo, mais belo o canto.

Em uma manhã chuvosa, o grande portão de madeira estava aberto, e vi ali, entre as folhagens, uma penugem tão linda quanto se pode imaginar. Mesmo com a chuva forte, pude ver o brilho que as penas esverdeadas emanavam. E eu tive a impressão de que o pássaro gorjeou mais feliz com a minha presença.

De longe, eu olhava, todas as manhãs, que o pássaro piava tristinho ali. Preso em uma enorme e bela gaiola, ele voava de um poleiro ao outro, olhando de soslaio o mundo lá fora. Vez ou outra, eu espiava e via ele cantando feliz, pulando de um poleiro em outro.

E quanto mais observei aquele pássaro preso, mais o amei. Mais desejei soltá-lo e vê-lo alçar vôo entre as árvores. Eu quis com todo o meu coração que ele voasse alto e abrisse as asas o máximo que conseguisse.  Eu queria vê-lo voando tão alto que o perderia de vista, para vê-lo novamente em instantes.

Agora, eu vejo que a porta da gaiola foi aberta. E que ele pia baixinho e me olha nos olhos. E que a luz do sol reflete no verde das penas. Acredito que ele espera o meu sinal para voar ao meu lado, livre. Eu quero que ele voe livre, embora saiba que ele tem medo. Eu quero que ele voe livre, porque eu amo a liberdade.

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Um amor para recordar…

Sabe aquele amor adolescente, que te deixa apreensivo, ansioso, que te dá um calorzinho no peito quando lembra?

Eu tenho um desses, por favor, não riam. É pelo Metallica. Desde a adolescência.

Meu primeiro contato com o Metallica deve ter sido pelos 12 ou 13 anos. Bem naquela época de transição entre a pré-adolescência e a adolescência. Quando a gente tem que começar a usar sutiã e tirar as Barbies das prateleiras. Época de traumas, diga-se de passagem. Meu primo mais velho tinha um monte de CDs deles e deve ter sido ele que apresentou. Lembro do quartinho dele cheio de pôsteres de bandas na parede, entre elas predominando o Metallica.

Relíquia tecnológica: MiniDisc

Relíquia tecnológica: MiniDisc

Em 1999, meu pai me presenteou no Natal com uma baita iguaria tecnológica: um MD Player – MD significa MiniDisc, aparece no Matrix. Nunca tive walkman nem discman, então este foi o meu primeiro player portátil. E a grande vantagem dele era poder copiar mídias digitais nos “minidiscs”, relíquia tecnológica hoje em dia. Entre uns Silverchairs, Foo Fighters, Nirvanas e afins, gravei uma cópia do Black Album no meio. Na mesma época, deve ter vindo uma cópia do And Justice For All.

A lembrança mais forte que eu tenho é de outra relíquia tecnológica aqui de casa. Tem um LD (LaserDisc, bisavô do DVD) com um tributo ao Freddie Mercury. Metallica tocou 4 músicas nesse show, e eu assisti até quase fazer furo no LD, rs.

Em 2001, pedi de presente de Natal para os meus pais um contrabaixo. Não foi dessa vez, mas ganhei de presente a edição especial importada do S&M em DVD, raríssima de achar hoje em dia, meu xodó também.

Em 2002, prestei exame de seleção para entrar no ensino médio na UTFPR, na época CEFET-PR, e passei. Aí ganhei de presente o contrabaixo, que ainda tenho, embora não disponha de coordenação para tocar, que ganhou o nome de Cliff Burton. Os pôsteres na parede da adolescência foram e voltaram, mas o Cliff Burton continua até hoje na porta do meu quarto.

Cliff Burton

Cliff Burton

E desde essa época que eu sempre lembro de Metallica na minha vida. De rascunhar as letras das músicas nos cadernos, de ouvir chorando nas tardes cinzentas da adolescência, de sempre lembrar do 27 de setembro com carinho.

Na turnê do Death Magnetic, quando eles se apresentaram no Brasil, eu estava desempregada e fiquei bem triste por não poder assistir aos shows. Fiquei um tempo sem ouvir para não me chatear mais.

E com o Rock in Rio, não consegui comprar ingressos nas oportunidades em que eram baratos. Com a proximidade do show, uma graninha guardada e um fiozinho de esperança, comecei a caçar ingressos de gente desesperada vendendo de última hora. Achei um cara vendendo no Facebook e peguei 3 dias antes do show. A minha prima, parceira na jornada de amar Metallica, se motivou e decidiu ir também.

14 horas de viagem, 10 horas na Cidade do Rock e o melhor show da vida. A cereja do bolo foi Orion, que me fez soluçar, junto com a lembrança de 25 anos sem Cliff Burton completados na semana do show.

Chorei também em Seek and Destroy, porque vi o momento em que o show acabava.

No caminho de 3 km de volta ao ônibus para mais 14 horas de viagem, nenhuma palavra. Eu estava absorvida pela realização do sonho de vê-los ao vivo.

Aqui é rock, bebê!

Aqui é rock, bebê!

Aqui é rock, bebê!

Tô famosa!

Acabei de notar, pelas estatísticas do blog, que estou linkada nos blogs da semana do Inagaki (Pensar Enlouquece)
Que legal! 😀
Primeiro, desculpem pela falta de atualizações. Estou tirando os novos posts do forno e em breve tem coisa nova, ok?
Obrigada pelas visitas! \o/