Platônico


Eu quero poder olhar para você todas as manhãs. E como é boa essa era digital, não é? Não preciso saber da sua agenda e arranjar um compromisso pertinho do restaurante que você almoça todos os dias para sentar em um cantinho e ver de relance seu olhar desconfiado.

Não preciso sair correndo do que estiver fazendo porque sei que em determinado momento, você vai passar na rua e eu vou prender a respiração, me esconder e te seguir com os olhos enquanto você passa.

Não preciso procurar seu nome na lista telefônica e descobrir o seu telefone, para te ligar e ouvir quietinha aqui do outro lado a sua voz. E nem preciso escrever um bilhete anônimo disfarçando a minha letra para colocar na soleira da sua porta.

Eu posso olhar para você todas as manhãs. Eu posso olhar para você todas as tardes. E se der saudade, posso olhar mais um pouquinho a noite, para fixar esses olhos castanhos aqui na minha mente e quem sabe ter um daqueles sonhos premonitórios.

É tão mais fácil amor platônico quanto tudo o que se precisa fazer é visitar o perfil, descobrir uma coisinha a mais a cada dia, sem ser percebida. E eu olho, religiosamente, todos os dias, para me acostumar com o olhar.

Porque a dona sabe o coração que tem, sabe que a garganta fica meio tronxa, não se firma direito o pulso e o rubor vem sem cerimônia. Melhor treinar um pouco, sim?

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