Saquinho de veludo


Ao longo da vida, a menina juntou uma porção de jóias. Herdadas de família, recebidas de presente, compradas e até mesmo encontradas no meio da areia de uma praia vazia. A questão é que aquelas jóias precisavam ser guardadas em algum lugar, pois não dava para usar todas ao mesmo tempo.

Decidiu então o seguinte: guardaria todas as jóias em um saquinho de veludo. E passou a procurar o saquinho ideal para a quantidade de jóias que possuía. O primeiro saquinho parecia bem adequado, usou durante um bom tempo. Mas a costura era frágil, e, se desfazendo, deixava escapar pelos buraquinhos os menores brincos e tarraxas, fazendo-a perder alguns. Ela desfez-se desse saquinho e resolveu procurar outro.

O outro saquinho que encontrou já se mostrava, de início, bem maior que o primeiro. Todinhas as jóias cabiam dentro dele, e as costuras pareciam mais reforçadas. O problema surgiu quando ela percebeu que aquele saquinho era muito grande para suas jóias.

Todas as vezes que queria pegar um brinco, colocava a mão lá no fundo, e ainda assim era difícil de alcançar. Certa vez, virou de ponta cabeça e sacudiu o saquinho para tirar o que precisava. Virou para o lado e o saquinho havia desaparecido. Um mistério.

Sem saquinho por um tempo, ela teve que se virar guardando as jóias dentro das meias e dos bolsos do pijama.

Certa vez achou um saquinho que era a coisa mais linda, mas irritou-se logo no início. Aquele era difícil de abrir. Mas era tão lindo que ela achou que o esforço valeria a pena. Toda vez que queria tirar algo lá de dentro era complicado, ele era ruim de abrir e de fechar. Nem conseguir se livrar do saquinho, cansada de tanta dificuldade de manejo, ela conseguia, pois tirar tudo de lá de dentro foi um sacrifício. Desfez-se do saquinho depois de um tempo, mas alguma coisa acabou ficando lá dentro provavelmente.

Dia desses topou com um saquinho diferente, mas que parecia bem o que ela procurava para suas jóias. Tamanho perfeito, sem problemas para abrir ou fechar, costuras firmes. Era ótimo. Só que uma manhã aquele colarzinho de bailarina enroscou lá no fundo.

Ela puxou, a correntinha não rompeu, mas puxou um fio da costura. Ela tentou arrumar, mas em poucos dias, o saquinho de veludo favorito se desfez inteirinho.

Agora os bolsos do pijama estão meio furados. Talvez seja melhor usar todas as jóias ao mesmo tempo. Ou talvez essas jóias nem sejam mesmo necessárias…

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