Do remorso e do silêncio compartilhado


Você percebe que gosta realmente de uma pessoa quando sente uma espécie de remorso por não tê-la conhecido antes. Não antes dois ou três meses antes. Antes quando ela aprendeu a falar, quando conseguiu escrever o nome pela primeira vez, quando quebrou o braço na 4ª série e na pior fase de sua adolescência.
É como se você se culpasse por ter perdido o que poderia ter passado junto à pessoa. Óbvio que você não poderia passar, mas uma estranha culpa o domina por ter estado longe.
Quando se encontra (ou se reencontra) uma pessoa amada, a impressão que se tem é que o tempo que se passou longe é irreparável. De fato, é. Nada vai acontecer de novo, se acontecer, não será igual.
E também porque se muda quando se conhece a pessoa amada. Supondo que você poderia ter conhecido, mas jamais a veria como você a vê hoje, pois ainda não a conheceria do jeito que a conhece a ponto de ter mudado sua personalidade.
É quando acontece aquele estalo. Aquele estalo que te muda. Que te faz perder o chão. É quando você consegue compartilhar o silêncio com alguém, sem necessidade de falar qualquer besteira para quebrar o silêncio. Mas ao mesmo tempo, os olhos trocam centenas de palavras.
Você vai pensar que escrevi isso para alguém. Que consigo compartilhar o silêncio com alguém. Já fui capaz. Com alguéns. O mesmo nada que era o antes se tornou o depois. Compartilho silêncio com meus algozes.

Meia-noite está se tornando minha hora da inspiração.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: