Ceticismo


Aquela, como outras noites daquele ano, era uma imagem que merecia ser fotografada. Mas que ninguém fotografou. Colocou aquele vestido de cetim lilás, aquele que adora. E que mancha só de olhar. Lavou e passou com cuidado para que ele ficasse impecável. Deixou o cabelo perfeito, pintou as unhas e se perfumou.
Destruíram tudo e afundaram num pouco d’água com clonazepam.
Aquela outra também. Trazia boas notícias e vestia seu novo casaco xadrez, que deixa com cara de responsável, um sorriso e um perfume barato. Bastaram algumas palavras e cervejas para que o dilúvio levasse o rímel embora. Sorte que não foi fotografada.
Não tem encanto que sobreviva.
Junta os seus pedaços e se monta com uma casca bonita. Não morde nenhuma das iscas que lançam, só belisca com medo que o anzol lhe corte os lábios enfeitados de batom. Não esconde que os véus fazem-na soluçar pela alegria alheia. É comum da sua natureza.
Olha sozinha os braços sem adornos. Não, não há mais nada que impressione.

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