Vagas reflexões sentimentais

Ou  “O triste caso de obsessão” ou ainda “Oito horas e trinta”.

Não sei o que fazer quando a pessoa vem até mim; eu sou dessas que vão até a pessoa (Clarice Lispector)

Eu sou dessas que vão até a pessoa. E vão com a cara e a coragem. Eu procuro vítimas dispostas a receber doses catastróficas de carinho e atenção. E não precisa corresponder não: é só deitar a cabeça para o cafuné.

Eu não sei o que fazer quando a pessoa vem até mim, quando invade minha bolha pessoal e quebra minhas barreiras. Eu perco o controle da situação, perco o controle da ação, perco o controle do sentimento. Eu estando aqui e você aí, só preciso disto: eu me levanto, vou até você e despejo meu feitiço, não esperando qualquer tipo de reação. Não vou gostar se quando eu virar as costas você vier atrás dizendo que te cativei.

Em outra situação, a pessoa provavelmente não saberia reagir se eu não fosse até ela oferecer explicitamente meu veneno. Ficaria tomada por um sentimento misto de vazio com saudades daquilo que não aconteceu. Quer se levantar e vir até mim, mas eu sou esperta e me fecho num bloco de gelo. Para ninguém chegar muito perto.

Todos os dias eu me levanto e espalho o veneno, por todos os lados. Mas quando se levantam e se viram para me procurar, já corri longe.

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Frustrei

Eu só queria poder me apaixonar por inteiro, e não pela metade.
Queria uma tarde no parque ou um cinema.
Receber um telefonema espontâneo.
Ganhar uma lembrança no aniversário.
É pedir demais?