Nós, mortais, vivemos numa cúpula permeada de desculpas. Quase todas para nós mesmos. Quando faltamos para com alguém, antes de qualquer tentativa justificativa para o outro, elaboramos, revisamos, lapidamos uma desculpa para nós mesmos. Porque a cúpula não pode se quebrar.
Porque a juíza implacável dos nossos atos é a nossa consciência. Ela sim, onipresente, onisciente e onifodalhona. Sempre ali, de olho aberto cobrando providências.
E como ela é muito ágil, sempre bom estar com a desculpinha ali, polida e revisada na ponta da língua. Os outros depois, antes de tudo a nossa consciência.
E quando a gente a trai? Putz! “Hoje estou cansado, mereço dormir mais meia hora”. Há poucos que conseguem ignorá-la e traí-la sem que ela fique pesada. Artistas da própria enganação.
Que assine aqui embaixo aquele que se permite, se deleita, se mima, vez ou outra. “Eu me traio”, assuma.
E que antes mesmo de consumar a auto traição, traça um plano de fuga onde pode se justificar sem se engasgar no primeiro questionamento mais incisivo. Afinal, é para nós mesmos que nos justificamos e ponto.
Da auto traição
1 Comentário »
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Diego Mello Disse:
on 13/11/2009 at 8:43
Excelente tema, Giu!
Nossa consciência é mestre na arte de justificar nossos impulsos.